Gravata: acessório que ainda vive

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Há algum tempo acompanho as publicações do jornalista norte-americano Eric Twardzik para as revistas WM Brown, Robb Report, GQ, Instagram e outras mídias, sempre com temas que publicamos por aqui: roupas e drinks clássicos

Dias desses li seu texto sobre gravatas e notei a semelhança em seu relato sobre o uso deste acessório nos Estados Unidos com a nossa situação atual.

Eu sou advogado e sempre gostei de usá-las, desde a época do estágio quando trabalhava no departamento jurídico de um Banco que ficava na rua 15 de novembro, no centro de São Paulo.

Os dias de hoje

Atualmente, com a virtualização da advocacia, a sua “obrigatoriedade” e necessidade deixou de ser prevalente. Mas não só na advocacia.

A mesma situação ocorre com os banqueiros e bancários, que até começo dos anos 2000 tinham um dress code formal, mas também as abandonaram. Para se ter uma ideia, o Banco Bradesco foi condenado na justiça trabalhista por proibir o uso de barba, apesar de permitir o bigode. Condenado por discriminação estética.

A propósito, ao menos no centro comercial e financeiro de São Paulo, outros tantos acessórios e roupas deixaram de ser usados ou foram adaptados.

Financistas, empresários e empreendedores disruptivos passaram a usar roupas que espelham muito aqueles que atuam no mercado de tecnologia, à imagem e semelhança de Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zuckerberg: o indispensável jeans, tênis/sapatênis, camisas e camisetas monocromáticas e quando cai a temperatura, um colete a tiracolo.

Já os advogados, os novos, passaram a espelhar seus clientes, especialmente os financistas e os do mercado da tecnologia. Deixaram de usar paletós e gravatas, passando a usar camisas e calças monocromáticas e eventualmente um mocassim.

Para mim, tudo isso é desesperador. Mas são os novos tempos da geração Z…

O que me parece, de forma geral, é que as gravatas deixaram de ser obrigatórias pelas empresas. Quem as usa, como eu, o faz por estética, tal como usar um relógio mecânico de pulseira de couro. Estes, inclusive, foram substituídos por smartwatch.

Esta é para casar

Há alguns anos comprei uma gravata Dolce & Gabbana em um site dos EUA, quando havia um equilíbrio entre o dólar e o real, aproximadamente US$1 para R$1,50. Há muito tempo.

Somente quando a peça chegou que notei a diferença entre a cor da fotografia e a real: a cor era champagne e dificilmente eu encontraria um momento para usá-la.

Passados aproximadamente uns 10 anos, eu ainda a guardava comigo, e chegou o momento: o meu casamento com Camila.

Bom, a gravata ainda continua champagne e provavelmente a usarei em alguma comemoração de nosso casamento.

Seda, algodão ou linho, desde que seja tricot

Nos últimos tempos eu tenho gostado bastante de gravata em tricô, e o bom é que elas passaram a ser vendidas no Brasil (novas) e as encontramos em quase todas as lojas de segunda-mão; nossos famosos brechós.

Para quem quiser gravatas novas, recomendo a Erlu, de meu amigo Felipe Jarnallo, que sempre me dá um regalo, como essa linda gravata IvesSantLarent.

Gosto bastante, também, de uma azul que comprei em segunda-mão e que é mais estreita. A propósito, nos dias de hoje você pode usar gravatas largas, médias e estreitas, como você quiser.

Há espaço para as sedas clássicas

Clássico é clássico e gravata de seda, monocromática ou colorida, sempre será atual. Aqui podemos fazer harmonização por semelhança ou contrate com a roupa, sapatos ou outros acessórios.

Novamente, nos dias de hoje quase tudo está liberado, mas preserve a harmonia, que é muito ampla.

Essa em seda cinza, rosa e lilás comprei em referência ao ator Pierce Brosnan, quando 007 e Thomas Crown.

Conclusão

Acredito que estamos passando por um tempo de consolidação de acessórios clássicos, que não são utilizados pelos jovens, mas aceitos sem maiores julgamento, o que facilita a vida daqueles com pouco segurança em experimentar.

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