O homem moderno foi visualizado pelo poeta Charles Baudelaire na pele do flâneur: “Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, constitui um grande prazer fixar domicílio no número, no inconstante, no movimento, no fugidio e no infinito. Estar fora de casa e, no entanto, sentir-se em casa em toda parte; ver o mundo, estar no centro do mundo e continuar escondido do mundo, esses são alguns dos pequenos prazeres desses espíritos independentes, apaixonados, imparciais, que a língua não pode definir senão canhestramente.” (O Pintor da vida moderna).
Nas palavras de Walter Benjamin: “A flânerie dificilmente poderia ter-se desenvolvido em toda a plenitude sem as galerias. (…). Neste mundo o flâneur está em casa; é graças a ele ‘essa paragem predileta dos passeadores e dos fumantes, esse picadeiro de todas as pequenas ocupações imagináveis encontra seu cronista e seu filósofo.” (Charmes Baudelaire. Um lírico no auge do capitalismo).
São Paulo e a alfaiataria
A Av. Paulista, o Centro Comercial das Grandes Galerias (Galeria do Rock), a Maria Antônia, o Riviera foram o ambiente para o flâneur paulistano até a década de 1970. Hoje não há mais espaços públicos para ele… sua vida está confinada a espaços fechados exclusivos, confrarias, grupos e clubes paulistanos. Um fracasso pessoal.
Justamente nesse momento que ressurgem as alfaiatarias, não comandadas por alfaiates, e que têm se apresentado para vestir o homem capitalista, dominado pelo financismo.
O homem capitalista é contraposto ao flâneur, que sobrevive. Que caminha pela cidade, que a conhece, a reconhece, a desconhece. Não fica preso no office.
Roupa para a cidade
Há algum tempo que tenho acompanhado o trabalho Jake Mueser (da J. Mueser) e sua trupe, de seu ateliê em Nova Iorque ou em trunk show por Londres, Florença ou Bangkok. Sinceramente é uma alegria vê-los.
A J. Mueser tem a ideia de “roupas para a cidade”. Penso que seria uma ótima para São Paulo, com os ajustes para o ambiente tropical.




Um horizonte para a cidade de São Paulo
Há um horizonte para São Paulo e acredito que ele é bem retratado pela Sartoria San Paolo, que de forma original a partir de símbolos paulistas, adotou uma linguagem heritage para suas últimas coleções.




Seus trabalhos conciliam a alfaiataria clássica como blazer e costumes e peças como jaquetas em tecido, jeans japoneses mais largos, jaqueta militar e overshirt em linho…
Espero que consigam atrair um novo paulistano.


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